Carola Henrique

 Ana Carolina Rufino Henrique - “Carola Henrique”

modelo

@carolahenrique



Gente, boa tarde. Eu tô aqui com a Ana Carolina Rufino Henrique, mais conhecida como Carola Henrique, uma modelo profissional, e hoje a gente vai falar um pouco sobre o trabalho dela e como é esse meio da moda.

Carola é seu nome artístico, né? Seu nome mesmo é Ana Carolina. O que te levou a escolher esse nome artístico? Tem algum motivo especial que te levou a isso? 

Então, como meu nome é Ana Carolina Rufina Henrique, Carola é um nome que meu pai me chamava, né? Minha família, alguns familiares íntimos me chamavam de Carol. Então resolvi colocar Carola com o sobrenome da família Henrique. Então é um nome afetivo. E tem um pouco a ver, né? Ana Carolina, Carola. Então é um nome afetivo.

Ana, eu fiz a minha pesquisa, né? Reparei que as suas redes não são muito movimentadas e que você é uma pessoa bem discreta. Como você consegue se manter tão ativa na indústria da moda? Mesmo não estando tão atualizada assim nas redes sociais.

Então, foi uma pergunta ótima. É que eu sou do tempo das não redes sociais, né? Eu sou bem mais velha e tal. E a rede social hoje em dia é uma ferramenta fundamental para trabalhos, hoje em dia as pessoas conseguem muitos trabalhos através das redes. Basta se você for um bom influente, ter um bom engajamento, você consegue.

E hoje em dia também, não só no meio da moda, mas no meio artístico. A gente vê muitas pessoas que, às vezes, elas conseguem coisas pelo número de seguidores.

Então, eu, infelizmente, às vezes, sou muito cobrada um pouco sobre essas questões, porque a internet para mim é algo necessário, mas ao mesmo tempo é algo muito complexo. Eu acho que, até para a parte da mente humana, eu acho que ela é um pouco... Hoje em dia ela está em excesso, né?

Mas como eu, nesse meio, eu flutuei muito, né? Eu usei meio paralelo. Então, eu não fiquei totalmente dependendo do mundo da moda.

Então, é uma ferramenta que eu uso. Se precisar usar mais, eu falo aqui, até atualizar mais. Mas é uma situação que eu prefiro, às vezes, para a minha saúde mental estar um pouco mais distante. Mas sigo pessoas do meio e tal. Já consegui alguns trabalhos com o meio da rede social também. 

Então, você disse que você não é muito ativa. Que você segue pessoas que são e assim por diante. Você acha que com esse aumento, esse “boom" que teve as redes sociais, as pessoas passaram a seguir mais aqueles que se identificam com a forma de vestir, né? E a se comparar mais também, né? Como você vê esse avanço das mídias para a sua profissão? Sendo que você começou quando não tinha rede social. Você acha que isso acabou afetando, de alguma forma, o seu trabalho hoje? 

É, eu acho que hoje esse “boom”, foi algo positivo. Porque hoje a moda está mais democrática então, a indústria principalmente a parte da internet mesmo, ela obriga as grandes marcas a trabalhar com pessoas de diferentes tipos.

Quando eu comecei, eu lembro que, um ano atrás, eu estava numa agência com nome famoso, né? E eu lembro que, quando eu fui lá, em tempos longínquos e agora, ela falou assim, “você já veio aqui no passado?” Eu falei, já.

Eu lembro que, na época, eles trabalhavam com dois tipos de modelos negros, vamos supor, retintos. Então, por exemplo, se a agência tinha duas pessoas, que se você for ver, na década de dois mil e poucos, eram sempre as mesmas pessoas que mostrava nas propagandas.

Então, eles falavam, “já tem uma pessoa do seu tipo, então não”. Hoje em dia, tenho certeza que a indústria está mais forçada, não que, às vezes, queira trabalhar com esse estilo específico, mas ela acaba sendo forçada a ter diversidade. 

Então, eles têm, por exemplo, um departamento de diversidade hoje, trabalham com todos os tipos de corpos, expressões e pessoas diferentes que a gente como a gente.

Nós somos plurais, o Brasil é plural, o mundo é plural. Então, ele precisa não excluir as pessoas, e sim incluir as pessoas, nesse sentido, eu vejo como algo positivo. 

Ao mesmo tempo, tem bastante pessoas, bastante estilo, bastante formas de trabalhar. Por exemplo, eu não coloco nada de lifestyle.

Então, para você ter engajamento, além de colocar muito isso, você tem que estar toda hora postando, para você conseguir monetizar. Então, eu sou uma pessoa um pouco tímida para falar, apesar de eu ter feito alguns comerciais, testes.

Então, você já vivenciou muitas coisas, vivências, né? E eu vi que você já foi para fora. Fez alguns trabalhos tanto em Paris, Londres também. Como isso agregou na sua carreira e mudou a sua forma de pensar e ver o mundo, por ser uma brasileira, negra, retinta, indo para outro país, né? A gente sabe que tem países com muito preconceito ainda. Como é que foi essa trajetória? 

É muito interessante, porque, por incrível que pareça, quando eu fui para fora morei um tempo em Londres, né? E lá, o trabalho na moda é muito amplo. Não ficou restrito, por exemplo.

Hoje em dia, a passarela está um pouco mais democrática. Mas, mesmo assim, tinha uma época que estava padronizada, hoje não tem tanta magreza. Trabalhamos com mais diversidade.

Mas, se você for ver os grandes desfiles de fora, os mais famosos, voltou. Então, até que ponto tem isso? Aí tem o padrão de altura, tem o padrão de idade. Por mais que, às vezes, não aparenta.

Só que, lá fora, eles são muito mais amplos. Eu não sabia que era tão amplo, tanto que eu fiz um cadastro em um site e, até hoje, eles me mandam e-mail e testes. 

Então, por incrível que pareça, por mais que tenha racismo, que tem no mundo inteiro, os testes são mais diversos. Mas, lá fora, eu achei interessante porque eles trabalham com bastante diversidade, não sei se é por ter menos, mas é bem mais diverso o nicho. Os testes, a idade é bem mais diverso do que aqui. 

Você falou que já fez passarela. E a gente sabe também que você é uma modelo fotográfica também, pelas fotos que tem no seu perfil. Estando nessas duas áreas, você já explorou tanto uma quanto a outra, vivenciou muita coisa. Como você se sente atuando nesse meio, sendo uma mulher negra, que hoje em dia já não tem mais vinte e poucos anos. E como você vê essa forma de representatividade? 

Eu vejo, hoje em dia, a representatividade algo que é muito falado, é necessário. Está nos pilares da ONU, falar sobre a questão dos negros e das pautas minorias.

Aqui a gente tem o ano da mulher preta latino-americana. Então, estão muitas questões muito positivas, mas, ainda, eu acho que falta muita coisa. Eu lembro que, na época que eu fiz muita publicidade, ia nos testes e tinha vários estilos de negros. 

Quando eu gravei publicidade comercial, era interessante porque eu via só eu, geralmente, e tinha alguns negros de pele mais clara, poucos. Mas, me colocavam sempre com uma pessoa branca ou com um ruivo, tudo bem, eu acho interessante mas eu falava, nossa.

Tinha uns colegas meus que a gente sempre contava com uns negros retintos, poucos. Eu falava, eles nunca colocam a gente junto. Por que será? Eu já ouvi muito assim, “você é exótica, tem uma beleza diferente”.

Como eu sou uma pessoa criada no meio muito politizado, na parte da negritude, eu questionava muito essas questões. E, às vezes, eu saía um pouco brava.

Então, como eles falam hoje, o “teste do pescoço” você olha para o seu redor para ver quantos negros tem, quantas pessoas tem. Então, hoje, com a diversidade, está mais inclusiva.

Mas, ao mesmo tempo, tem os padrões. Quando você vai ainda dependendo do seu cabelo pode não ser, o que hoje eles preferem... Se vocês forem ver as negras retintas, tem muitas africanas lá fora, trabalhando no meio da moda, principalmente passarela. Mas, você vê que a maioria dos cabelos são bem curtos.

Por que será? Porque será que, cara, tem que cortar careca? Dá menos trabalho. Eu falo isso da indústria. Ao mesmo tempo, principalmente na publicidade quanto mais traços, menos negróides que você tem, mais bonita você é considerada ainda. 

Então, com o nariz mais largo, com o cabelo mais crespo, ainda tem a questão da beleza. Ainda é enquadrado nos padrões, quando você faz o teste, eles colocam vários padrões. Uma negra com os traços mais... Eles falam “mais finos” que é uma expressão racista. Mais finos por quê? Porque ela é mais fina. Ela tem o nariz mais fino, os lábios menos grossos, infelizmente, ainda tem o padrão. 

Por mais que a diversidade, hoje em dia, trabalhe com menos padrões, ainda o padrão existe. Bastante, o padrão europeu ainda prevalece. 

Considerando que você também chega a ser uma referência de moda afro, porque as roupas que você veste são mais focadas para essa cultura, os penteados que você usa também. Você acha necessário as pessoas saberem a história por trás do que elas estão vestindo? 

Eu acho muito importante, o afro a nossa ancestralidade que a gente carrega. Para mim, é muito significativo. Como eu represento muitos que vieram antes de mim, por eu estar aqui. 

Então, como eu falei pra ti, eu vivo em uma família que a gente é muito ativa nessa questão, para mim, quanto mais eu coloco alguns traços, algumas questões minhas, algumas roupas ou brinco, alguma coisa que remete à ancestralidade, para mim, eu me sinto muito mais forte. Então, carrego muito isso, eu acho muito importante.

E a história é necessária. Sem a nossa história, por mais que nós somos brasileiros, a gente sabe que a nossa história foi muito dizimada, fizeram uma mistura para nos desconectar da nossa origem, mas a parte, a espiritualidade que traz é muito forte. 

Mas eu acredito que é muito necessário pelo menos a gente saber a história, isso é muito importante. Necessário.

Ana, para finalizar, como você já realizou tantos trabalhos, me fala qual desses trabalhos foi um divisor de água na sua carreira? E se tem algum sonho que você ainda não realizou e que gostaria de realizar no mundo da moda?

O divisor de águas foi quando eu fiz esse photoshooting que eu fiz em Basel, na Suíça. Foi muito interessante. Para mim, muito importante, porque eu acho que não sou só eu que falo, mas eu vejo muitas pessoas, mulheres falando sobre autoestima.

E a mulher negra com autoestima também é um fator que a gente já nasce, apesar que a sua geração, hoje, já está mais empoderada, nas escolas. Mesmo assim, na época que eu estudei no colégio, desde pequena, nos colégios que eu aproveitei, o particular só tinha eu e minha irmã. A gente sofreu muito e a questão da autoestima ainda apega muito para mim, por mais que às vezes as pessoas falam, então, na Europa, esse divisor de águas foi muito bom porque levantou muito a minha autoestima.

Como mulher preta, retinta. Nesse sentido, eu acho que foi muito importante para mim. Apesar que estou com autoestima em construção ainda, confesso. Ainda está em construção.

Ana, e quais sonhos você ainda não realizou que gostaria de realizar? 

Eu gostaria muito de visitar a África, alguns países africanos. Gostaria de fazer umas fotos lá,eu gosto muito da nossa cultura, da nossa ancestralidade, um trabalho ainda mais voltado para a africanidade.

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Por Brenda Barbosa


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