Helena Cordeiro de Souza

                                                       Helena Cordeiro

estudante de moda - 2° semestre

@helenacordportfolio_




Helena, conta um pouco pra gente como é a sua trajetória na moda, o que você já fez, como está sendo a faculdade.


Meu período na faculdade de moda começou ano passado, no meio do ano. Atualmente, eu tô fazendo vários projetos. Então, eu faço a minha faculdade de moda no SENAC de Santo Amaro. 


E aí é presencial a semana inteira, de segunda a sexta e nessa semana eu tenho três dias de um projeto e dois dias de aula teórica. E tá saindo muito bacana, porque assim, a minha trajetória na parte de moda começou no ano de 2022, 2021. 


Quando tava na pandemia, eu comecei a desenhar, comecei a pesquisar sobre moda pra me distrair um pouco. Então, foi bem bacana, assim, me encontrar uma parte da minha vida que eu sei que eu quero seguir e a minha trajetória, porque além da faculdade, eu trabalho atualmente com moda também. 


A gente sabe que moda não é, não consiste só em se vestir, né? Hoje em dia tem várias formas de se vestir, estilos diferentes.

E como estudante, o que você acha dessas novas formas de se vestir que a sociedade criou? 


Nós estudantes de moda, fala, né? Nossos professores, todo mundo que estuda mesmo moda, historiadores, enfim. Moda não é roupa, moda é expressão, moda é arte, moda é política. 


Então, como eu estou estudando moda ultimamente, eu tenho uma perspectiva muito diferente de uma pessoa que não estuda moda. Então, eu entendo o que é moda a partir do que a pessoa vive. Então, se a pessoa é periférica, se a pessoa tem uma classe melhor ou uma classe menor, eu vejo isso. 


Então, esses tempos, até a minha professora, acho que foi semana passada, ela falou assim pra mim. Eu estava na minha aula de Antropologia e Cultura de Moda e ela me falou. “Nós que somos estudantes de moda, você, nós que somos professores de moda, nós temos que estudar as pessoas em nosso dia a dia” 


Então, a moda, ela vive constantemente entre a gente. Então, a partir do momento que eu estou no metrô, eu vejo várias pessoas, dá pra ver o meu estilo de vida ali. Então, pra mim é muito importante estudar o estilo de vida da pessoa, estudar o que ela vive do que só uma roupa, sabe? 


Eu já ia te perguntar justamente sobre isso, né? Porque a percepção que você tinha sobre moda antes de estudar moda e a percepção que você tem agora, mudou muito? Como é que ficou isso? 


Então, mudou bastante, porque eu achava que moda era só o desfile, aquelas coisas maravilhosas que a gente vê nos dia a dia, de eventos, Meet Gala, Grammy, Oscar. Só que não, nós temos outra parte da moda.


Então, isso do estilo de vida, de estudar o outro, entender o que a pessoa passa na vida dela, entra muito em questão. Então, pra mim mudou, tipo, muda constantemente. Porque o que a gente diz é que a moda é efêmera, então ela é rápida. Ah, tem uma tendência, acabou. Entende?


Hoje a gente tem estilos como punk, gótico, subculturas de moda, né? Você acha que o crescimento dessas subculturas ampliou mais depois da pandemia? Ou você acha que já tinha esse crescimento, só que as pessoas não davam tanta importância pra aquilo? 


Então, depois da pandemia eu percebo que o estilo das pessoas mudou constantemente. E também tem muita questão de qualidade de vida que entra nisso, quanto de conforto, quanto do que a pessoa vive. 


Então, eu como adolescente, por exemplo, de 18 anos, eu não ligo o que uma pessoa de 40, de 60, de 70 anos acha sobre mim, porque é o que é sobre mim, a minha roupa fala sobre mim então, hoje eu tô usando uma regata, hoje eu tô usando uma calça, que são coisas casuais pra mim que eu gosto. Então, acho que depois da pandemia as pessoas tiraram aquilo da cabeça de ter que se importar com a opinião do outro, sabe? Se importar com a opinião de si mesma, o que ela quer usar.


Você falou que você trabalha atualmente com moda, né? Então, acho que você já convive ali no meio de profissionais de moda. Qual a diferença que você vê desses profissionais que já estão no meio, né? E provavelmente já tem uma idade um pouco mais avançada do que a sua, com a sua visão agora? Uma estudante que tá no segundo semestre, 18 anos, é uma diferença muito grande de pensamentos? 


Eu trabalho atualmente na Cris Barros é uma marca de luxo, de grife, que entra ali no mercado de luxo constantemente e faz parte de um grupo muito grande, que é o Grupo Asas. 


Então, atualmente eu trabalho com diversas cidades e pessoas que constantemente me ajudam. sei que tenho diferentes opiniões ali, opiniões boas, opiniões ruins. Só que eu entendo que preciso dessas opiniões pra formar o que eu quero na moda.


Eu vejo a diferença de uma pessoa do estilo, que tem 40 anos, pra mim, de 18 anos, por exemplo. Quero colocar essa roupa no desfile e a pessoa vai usar uma roupa verde com onça. Eu não vou entender o que ela quer trazer, mas às vezes ela tá trazendo uma tendência que foi do ano ou da época antiga dela. Então, é estar ali em conjunto pra que não seja nem preconceituosa e nem etarista, né? O que acontece hoje em dia bastante. 


Helena, a gente sabe que existe muito preconceito em relação à forma de se vestir atualmente, né? Sim. O que você falaria pra essas pessoas sobre isso, conscientizando essas pessoas que moda não é só o vestir, é a forma de se expressar. Tem uma história por trás, né? Então, o que você diria pra essas pessoas que hoje simplesmente acham que moda é isso, se vestir? Como você explicaria pra elas que não é? 


Moda não é se vestir, claro que, quando nós pensamos em moda, igual eu, quando falei pros meus pais, ah, eu quero fazer moda, quero seguir isso na minha vida, eu tive que explicar por que. Então eu falei, ‘porque eu quero viver isso e eu quero entender como aquilo funciona’. 


A partir do momento que você fala pra mim que moda é se vestir, eu não vou chegar pra você e falar, não, moda não é se vestir porque tal e tal coisa, não. Eu vou tentar te explicar e tentar formar o seu pensamento.


Então, você que tem esse pensamento que moda é se vestir, ela pode ser sim se vestir, mas ela não é só isso ela é muitas coisas como expressão, arte, cultura entra muito nisso. E, basicamente, o que eu falei anteriormente, que é o estilo de vida e o que está à sua volta. 


Você falou dos seus pais, né, sobre fazer moda, a  gente sabe que tem um preconceito muito grande em qualquer pessoa que resolva estudar moda. Qual foi a reação dos seus pais quando você falou, ah, pai, mãe, quero fazer moda?


Sim. Pela parte da minha mãe, ela ficou contente, entendeu, só que ainda tinha aquele receio, e o meu pai a mesma coisa. Então, como você vai fazer moda? Você vai colocar o dinheiro na mesa? Então, entrou muito essa questão de passar fome. 


Ainda mais com uma mulher preta que está em uma sociedade diferente da minha, porque a moda entra muito nisso, de ser um pouco elitista, né, porque as pessoas pensam muito nisso também. E está certo, porque é um mercado muito grande, muito complicado, muito competitivo. Mas eles acreditaram em mim, e eu fui; porque, assim, você tem que colocar o que tiver, expor, entendeu? 


Você trouxe também essa pauta racial, né, de ser uma mulher preta no mundo da moda. Você já tem percebido muitas dificuldades por conta disso, de ser uma mulher preta no mundo da moda, que não é uma classe alta, né, porque a gente sabe que tem uma diferença? Na forma de se vestir também, porque a gente sabe que a moda na cultura afro é diferente da moda capitalista, narcisista, imposta pelo padrão que a gente tem hoje, que é aquela moda basicamente europeia barra norte-americana.


Sim. Atualmente, como eu trabalho na Cris Barros, como eu tinha dito pra vocês, a grande maioria que ali trabalha comigo, o que eu vejo são da minha área, porque, por exemplo, onde eu trabalho é na Matriz. Então, é onde tudo acontece. 


Eu tô ali junto com o estilista, tô com o setor de estilo, com o setor de compras, que é onde eu faço parte, o meu setor, eu tenho quatro pessoas brancas e só eu de mulher preta. Outras mulheres pretas que eu conheço de outros setores são as costureiras e é uma menina da estamparia. Já nesse setor, por exemplo, eu tenho mais pessoas pretas. Então, eu vejo sempre a diferença de mais pessoas brancas nos setores do que pessoas pretas.


E assim, não é que não chega oportunidade, sim, chega oportunidade. Mas ainda é pouco, ainda tá baixa a questão de contratar pessoas pretas, o que é muito triste e ainda mais mulheres.


Então, é muito triste de ver isso pra mim. Mas eu sei que vai mudar, porque ultimamente tá mudando e eu fico muito contente. E vai ser complicado, mas a gente vai conseguir.


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Por Brenda Barbosa

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